domingo, junho 08, 2008

Jogo da vida


Você pode formar na faculdade ou passar pelo outro lado do tabuleiro. Pode ter cinco filhos ou nenhum. Pode acabar milionário ou falido, pode achar petróleo e perder tudo apostando na roleta. Mas aconteça o que acontecer, você tem que pagar seus impostos e parar no dia do casamento. Na maioria das vezes, você queria o carrinho azul, mas só sobrava o vermelho. Quando ninguém estava olhando, você jogava o dado de novo e ganhava cavalos premiados. E quando o jogo acabava, achava sem sentido atravessar todas as casinhas contando só com a sorte, como se toda a sua vida pudesse ser decidida apenas com um dado. Então talvez fosse melhor jogar War – no fim, as coisas também eram decididas pelo dado, mas na caixa estava escrito “jogo da estratégia”. O problema era que, no meio do jogo, alguém sempre achava que havia um complô e jogava as pecinhas de todo mundo pro ar. A única opção então era algum jogo de cartas. Mas sempre tinha alguém que não sabia as regras e, na hora da explicação, outro alguém sempre discordava da utilidade de uma carta. Às vezes um terceiro alguém se cansava da confusão e ia embora. Às vezes esse alguém era você. Mas mesmo com as discussões, a gente insistia em jogar de novo outro dia. Até o dia em que a gente entendeu o que eram os impostos e a guerra do Oriente Médio. Se todo mundo ia discutir no final, melhor nem jogar. Se as pecinhas iam todas para o ar no meio do jogo, melhor nem arrumar o tabuleiro. Não que o jogo não fosse mais divertido, nem que as brigas não pudessem ser resolvidas. Mas a velha sensação de saber como tudo ia acabar, a clara impressão de que alguém ia apelar antes do final, a possibilidade de ser vítima ou parte de um complô, tudo isso dava vontade de deixar os jogos guardados no armário, esperando o tempo passar enquanto se juntava coragem para mais uma discussão.

3 comentários:

Bernardo Miranda disse...

muito legal seu texto. Seria tão bom se a gente pudesse chutar as pecinhas todas na vida real também né heheheheheh, ou entao robar no dado

Anônimo disse...

Boa reflexão : )
Jogo da vida... nossa como eu roubava hauahauhua
www.danicvilarinho.wordpress.com

Lalá disse...

Mas no final, quando todo mundo já bebeu demais, sempre tem o Imagem & Ação.
Bom estarmos todos de volta.